14 de abril de 2012

Pare, Pense e Mude



Quem mora no Rio de Janeiro já deve ter percebido em alguns locais estratégicos da cidade uns letreiros eletrônicos destinados à educação no trânsito de motociclistas. Pelo jeito a coisa está feia entre eles. Dizem as placas essencialmente três frases  “Moto: saiba usar”, “Moto: saiba ter respeito” e “Pare, pense e mude”. Creio que são conselhos sábios – em especial o último. Na verdade, mais do que um conselho, ele é uma proposta revolucionária. Pare, pense e mude. Aparentemente simples, mas não praticado por quase ninguém. Vamos então parar e pensar um pouco sobre isso. Para, quem sabe, mudar.

PARE

Hoje ninguém quer parar, todos querem fazer. O ócio, em nossa sociedade capitalista, passou a ser associado a preguiça, a falta de responsabilidade, a desperdício de tempo. Tempo é dinheiro e se o seu tesouro é o dinheiro, parar significa prejuízo. Albert Einstein (à dir.) só conseguiu desenvolver sua Teoria da Relatividade porque trabalhava num emprego publico e durante a parte da manhã dava conta de todo o trabalho do dia. À tarde ele se sentava na janela do escritório de marcas e patentes onde labutava e passava horas… parado. Se não fossem esses momentos em que o gênio da física conseguia parar, o mundo hoje seria bem diferente.

Parar é um excelente remédio contra a correria do dia a dia. Contra o estresse. Contra os excessos. Muitos erram pela impulsividade. Fazem, fazem, fazem, fazem, fazem… mas não param. Não se recompoem. Não se reagrupam. Vão como rolos compressores. Isso ocorre com homens, ocorre com lideres religiosos, ocorre com igrejas. Não param. Só vão fazendo. E, se estão errados, vão errando.

No inicio deste ano eu parei. Precisava escrever o quarto livro da série Geração Ação, que tinha de entregar à editora Anno Domini até março, para lançamento em julho. Mas como escrever um livro que exige pensar numa história interessante para o leitor, com ensinamentos bíblicos em cada página… se meu trabalho cotidiano e minhas obrigações familiares e eclesiásticas mal me dão tempo para dormir? Conversei com meu líder e ele me autorizou: PARE. Diante disso, fiquei duas semanas em casa, no meu escritório, mergulhado em orações, Biblia e o notebook. Parei todo o resto. Orei, escrevi, comi e fui ao banheiro. Só. E assim consegui escrever O Ritual, quarto livro dessa série premiada pelo Prêmio Areté de literatura cristã (pelo livro “O Enigma da Bíblia de Gutemberg” – à esq.). Se eu não tivesse parado, até hoje o livro seria apenas uma ideia. Como eu parei a coisa andou. Paradoxal, não?

Precisamos diminuir o ritmo. Tirar o pé do acelerador. Parar de achar que viver a fé e a “obra de Deus” é se movimentar o tempo todo. A vida não é uma maratona. Muito menos uma corrida de fórmula 1. A obra de Deus não é ativismo. Às vezes a coisa mais importante para determinado momento é suspirar fundo, sentar-se sozinho em um lugar calmo, ameno e sereno e deixar o suave cicio de Deus penetrar nossa alma. Como ouvir Deus se nunca paramos? Como avaliar se estamos no caminho certo se não nos detemos para olhar em volta? Somos às vezes como Forrest Gump: disparamos a correr, a correr e a correr sem saber nem ao menos onde queremos chegar. Calma. Calma, meu irmão, minha irmã. As coisas vão acontecer de um jeito ou de outro, pois Deus está no controle. Se você…parar… para pensar, verá que muitos dos nossos maiores erros cometemos porque tomamos atitudes impulsivas, com pressa, sem parar para avaliá-la com paz e calma. Fazemos no automático. Mas, desde que façamos, estamos dentro dos padrões sociais – então está tudo bem.

PENSE

Pensar é o passo seguinte. Paramos. Mas para quê? Para dormir mais?  Para ver TV? Para babar de boca aberta vendo o tempo passar? Einstein sentava-se em sua janela não para ver as modas da estação, mas para pensar. O corpo para. A mente funciona. Estancar todo o resto ajuda-nos a refletir, ponderar, pensar com calma. E, assim, ouvimos a voz de Deus e conseguimos meditar com calma no que ouvimos. E, deste modo, tomar as decisões certas, sem ser um arroubo mal-refletido, da noite para o dia.

Parar para ler a Biblia mas não parar para pensar no que lemos é inócuo, pois a leitura será mecânica e não trará consequências. Sem pensar, você acabará lendo “bem-aventurados os pacificadores” mas vai achar o máximo aquele pastor da TV brigar com outros pastores, xingar os blogueiros que o criticam, falar mal de outros sacerdotes, dizer que quem não crê nas heresias que o enriquecem é idiota, que quem dá ofertas por amor à obra de Deus é “trouxa”. Pois você parou, leu as Escrituras mas não pensou. Não refletiu sobre o que significa exatamente “pacificar”. E por isso age contrariamente ao que diz a Palavra. Se tivesse refletido e compreendido nunca mais veria nenhum programa de um pastor como esse nem lhe daria mais um tostão. Leu o Sermão do Monte mas permanece vibrando com os massacres e as pancadarias do UFC.

Pensar é fundamental. Quando estava no processo de escrever O Ritual por vezes eu ficava cerca de uma hora apenas pensando em como seria o capítulo seguinte. Bolava a trama. Imaginava as sequências de ação. E quando sentava para iniciar o processo de escrever já sabia exatamente como começaria e acabaria o capítulo. Porque antes de executar eu PENSEI no que faria.

Muitos não pensam. Frequentam igrejas que têm práticas bizarras mas fazem tudo o que seu mestre mandar porque não pensaram sobre tais práticas à luz das Escrituras. Leem o que garotões bobos mas famosos de clãs que têm fama no meio gospel dizem no twitter e saem repetindo suas bobagens sem pensar. A falta de parar e pensar cria papagaios.

Pois é esse não-pensar que faz cristãos bem intencionados repetirem como papagaios que “amo Jesus mas odeio a igreja” ou “Jesus é maior que a religião” e dezenas de outros clichês que caem na boca de um povo que, como não pensa, sai repetindo por aí essas filosofias “da hora”. Até surgir outra. Assisti outro dia a um vídeo onde um garotão defendia que Jesus era “maior que a religião” e peguei fácil no mínimo uns dez erros de lógica na argumentação dele. Mas vi nas redes sociais centenas de jovens achando aquilo o máximo! E por quê? Porque não refletem. Não examinam à luz da Biblia e da História. Não param e pensam. Só repetem como cascas vazias o que viram e ouviram, cascas tão vazias que ali qualquer filosofia boba ou herética vai achar espaço para fazer eco.

“Deus é amor e por isso não permitiria tragédias no mundo”, inventa hereticamente um pastor famoso. E milhares que não pensam acham isso tão poético! Tão lindo! Sim, Deus é amor! Sim! Sim! Ele não permite tragédias nem manda ninguém para o inferno, nem mesmo os hindus! Ô glória. Afinal, quem disse isso se veste tão na moda que não poderia estar errado. Não pensam, pobres coitados. E assim seguem, mais guiados pela estética e pela lógica ilógica dos famosos do que por suas próprias reflexões.

Peeeeeeeeeeeense, meu irmão, minha irmã! Não aceite fórmulas  prontas assim de cara. Não caia como um pato em frases feitas e clichês gospel, senão daqui a pouco você estará acreditando que de fato a frase “não cai uma folha da árvore se Deus não deixar” está na Bíblia. Ou poderá virar um herege que segue a manada como uma vaquinha de presépio, balançando a cabeça e achando magistral ver shows gospel na TV. Pois só repete frases feitas, assimila o marketing das gravadoras e não entende que, por não pensar, virou massa de manobra na mão de quem quer lucrar em cima de você ou te conquistar para crer em doutrinas de demônios. São duras palavras? São. Sentiu-se ofendido? De certo modo isso é bom, pois “a tristeza segundo Deus produz arrependimento”. E, quem sabe, se você começar a ser sacudido pelo pensar que te ofende consegue ir para o passo seguinte: mudar.

MUDE

Ah! Aqui está a parte mais difícil! Pois exige de nós a  capacidade de fazer algo que poucos tém coragem de fazer: admitir publicamente que estava errado. Isso exige uma humildade de espírito que poucos têm. Você conseguiria subir no púlpito de sua igreja, pedir perdão e dizer a todos: “Realmente eu estava errado esse tempo todo”?  E então tomar um atitude de mudança? Em especial se você é um líder. Se reavaliar e declarar abertamente seus equívocos exige uma postura que poucos, como Zaqueu, tiveram.

Essa é a parte mais complicada mas, ao mesmo tempo, a mais cristã. Pois Cristianismo é sobre mudança. Não importa idade, atividade, origens… nada! Se você era prostituta, que passe imediatamente a honrar o templo do Espirito. Se você era mentiroso, torne-se  automaticamente um amante da verdade. Se você espancava seres humanos como profissão, mude de emprego para outro em que dignifique a sua vida, faça um concurso público. Se você frequentava a igreja mas não tinha uma vida santa, passe a ser cristão. É o que tenho tentado  fazer a cada dia da minha vida: mudar. Um pouco mais a cada dia. Um passo a cada queda. Pedacinho a pedacinho. Às vezes me arrasto, às  vezes me ergo, em geral dá pra ser um pouquinho santo, muito pecador,  totalmente dependente da graça. Perfeição? Estou longe. Tentando me  aperfeiçoar? Todos os dias. Chego lá? Um dia, quando fechar meus  olhos, serei totalmente mudado, transformado. Essa é a minha esperança.

É útil parar. É importante pensar. É imprescindível mudar. Só assim conseguiremos trafegar por esta vida sem riscos de levarmos um tombo que venha a provocar danos eternos. Então, se você ainda não fez isso, é uma boa hora para começar. Reduza a marcha. Ou mesmo desligue o motor. Desça da moto. Pare. Pense. E mude. Talvez o melhor seja você abandonar a moto e andar de ônibus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

FONTE: http://apenas1.wordpress.com/  autor Maurício Zagari
Postado por: Marcelo Pessoa do blog http://luzevida123.blogspot.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário